Doenças crônicas: o que podemos compreender observando os dados epidemiológicos?

05/09/2018

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Hoje vamos voltar algumas casas na em nossa discussão, a fim de melhor contextualizar a linha de raciocínio para os assuntos subsequentes.

Como você pode perceber, a imagem em questão apresenta um panorama dos últimos 10 anos, fornecido por uma das pesquisas mais importantes de Vigilância Epidemiológica no Brasil, o VIGITEL. Os aumentos nas prevalências de diabetes mellitus tipo 2, de hipertensão arterial e excesso de peso, são alarmantes, frente a um cenário de hábitos saudáveis que sim, são otimistas, mas revelam-se ainda tímidos frente ao desafio que estamos enfrentando.

O que esses números revelam é que precisamos fazer mais do que temos feito. Que o acesso a informações sobre modos de vidas saudáveis nos últimos anos ajudou, mas tem se revelado insuficiente para lidar com as mudanças complexas do nosso ambiente.

O que temos conseguido, com práticas prescritivas, restritivas, proibitivas, abordagens terroristas, que julgam a capacidade dos sujeitos de resistir às tentações é reduzir e simplificar algo NADA SIMPLES. 


Se a questão do peso e das doenças crônicas dependesse de disciplina, foco e força de vontade, estaríamos então enfrentando uma epidemia nacional de força de vontade, já que temos mais da metade da população brasileira “fora da linha”? Enquanto acreditarmos que o nosso papel é tratar as doenças, apresentar soluções rápidas, baseadas em diagnósticos feitos em 15 minutos de conversa, muitas vezes sem sequer um olho no olho, alimentaremos um mercado obscuro que vende soluções “fáceis e milagrosas”, que custam uma pequena fortuna e risco absurdo de morte.

 

Enquanto a nossa falta de empatia e escuta sensível comunicarem a nossa incapacidade de perceber que o que orientamos, muitas vezes muda toda a vida dos sujeitos, afastaremos do tratamento todas aquelas pessoas que se sentirem fracassadas por não conseguirem seguir algo que o profissional fez parecer tão simples na consulta.

Enquanto julgarmos e estigmatizarmos pessoas que não conseguem os progressos idealizados pelos protocolos padrões, seremos sem dúvidas, os contribuintes pelas mortes e adoecimentos daqueles que desistiram de tentar, já que tentaram tanto e ainda foram repreendidos por não conseguirem. ((Sim, existem estudos que comprovam nossa contribuição para isso! Referência no final do post)

Um olhar mais humanizado e empático sobre as doenças crônicas, uma abordagem menos prescritiva e mais aconselhadora, o acolhimento em lugar do julgamento e o movimento de tornar pessoas autônomas e responsáveis pela própria saúde, ao invés de dependentes e inseguras (especialmente no tocante à comida) nada mais são do que tentativas alternativas de sair de décadas de mesmíssimos resultados, obtidos com a mesmíssima conduta. É fazer o caminho mais longo ao olhar para tudo isso e entender que os atalhos não foram soluções úteis para que nos tornássemos mais saudáveis.

Referência:
Mensinger JL, Tylka TL, Calamari ME. Mechanisms underlying weight status and healthcare avoidance in women: A study of weight stigma, body-related shame and guilt, and healthcare stress. Body Image. 2018 Jun;25:139-147.

 

 

 

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