Como suas palavras, pensamentos e atitudes podem influenciar na sua relação com a comida? O poder da Programação Neurolinguística

06/07/2018

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“O que estamos escolhendo para pensar e dizer hoje, neste exato momento, criará o amanhã e o dia seguinte, depois a semana seguinte, o mês seguinte, o ano seguinte, etc.” (HAY, 2016).

 

Escolhi começar o texto de hoje com essa bela passagem da autora Louise Hay porque falaremos disso aqui: nossas palavras e pensamentos influenciam nossas escolhas, nossas ações e nossa vida de um modo geral.

 

 

 Você sabia que os seus pensamentos e as suas convicções podem influenciar suas escolhas alimentares? Achou complicado? Vou simplificar: veja se você se identifica com algum destes pensamentos abaixo (ALVARENGA et al., 2015):

 

“Eu nunca vou conseguir me alimentar bem.”

“Eu só faço ‘gordice’.”

“Essa semana só comi ‘besteira’.”

“Agora que já saí da dieta, vou ‘enfiar o pé na jaca’.”

“Eu estou uma ‘baleia’.”

 

Comumente, escutamos frases como essas por aí, seja no consultório, seja na fila do banco, ou em uma conversa descontraída entre amigas, não é mesmo? Porém, apesar de tão faladas por aí, quase ninguém percebe que são dizeres perniciosos, que levam o indivíduo a se julgar, a se culpar por ter comido algo, e fazem com que, muitas vezes, ele acabe comendo muito mais. (Veja mais sobre as consequências desse tipo de pensamentos nesse texto aqui).

 

E mais, as frases acima não são verdades absolutas. Mas você deve estar pensando: “São frases tão ‘batidas’, todo mundo fala!”. Pois é, muita gente as repete, e por isso elas já se transformaram em algo comum e cultural. E, mesmo não sendo algo verdadeiro, quanto mais repetimos e ouvimos uma frase, mais enraizada e cristalizada ela ficará. Dessa forma, ela se incorpora como uma verdade, tornando cada vez mais difícil modificá-la.

 

E como podemos reavaliar esses nossos pensamentos? Para nos auxiliar, temos na Psicologia algumas técnicas interessantes que são utilizadas no processo de reestruturação de pensamentos.

 

Uma dessas técnicas é a Programação Neurolinguística (PNL). E para nos contar um pouso sobre a PNL e como ela pode nos ajudar na mudança do comportamento alimentar convidamos a Psicóloga Marcela Mello, que é pós-graduada em PNL e especialista em Neuropsicologia.

 

Segundo a entrevistada, a PNL é “uma ferramenta importante de desenvolvimento pessoal muito utilizada em psicoterapia que foi elaborada por Richard Bandler e John Grinder nos EUA” no início da década de 1970. A técnica “parte da premissa que existe uma conexão entre os processos neurológicos, a linguagem e os padrões (comportamentos) aprendidos por meio da experiência que podem ser alterados no alcance de objetivos”. Ou seja, nossos pensamentos, comportamentos e linguagem são aprendidos em nossas vivências, exemplos e escutas, mas podem ser modificados a fim de quebrarmos crenças e atingirmos nossas metas.

 

Dado o conceito da técnica, questionamos a psicóloga como a PNL pode influenciar na mudança da alimentação. Marcela nos explicou que a técnica, juntamente com a abordagem nutricional e a psicoterapia, irá “trabalhar a forma como o indivíduo enxerga o ‘comer’ e como ele se comporta diante das situações”. Envolvendo, assim, “um trabalho de ressignificação de pensamentos e dessa linguagem que irá interferir diretamente nas emoções e no comportamento desse indivíduo”, e consequentemente na sua alimentação.  Isto é, a PNL age justamente ajudando as pessoas a identificarem suas crenças alimentares (impressões sobre a comida) e a avaliar se elas são de fato verdadeiras ou não!

 

Mas como ressignificar um pensamento disfuncional? Inicialmente, devemos identificá-lo, avaliá-lo e, só então, reestruturá-lo. Vamos exemplificar com uma situação em que você foi convidada para um rodízio de pizza, e identificou o pensamento automático: “Eu não posso comer pizza se quero emagrecer”. Você deve, então, avaliar esse pensamento: Será que se eu comer o suficiente para honrar minha fome, eu vou realmente engordar? Será que porque vou a um rodízio preciso comer até passar mal? Será que não é possível participar desse momento comendo com tranquilidade, degustando e comendo apenas o suficiente?”. Muitos outros questionamentos são possíveis nesse caso!

 

Então, após todos esses questionamentos, você conseguirá reestruturar seu pensamento, como, por exemplo, mudando aquele pensamento automático inicial para “Tudo bem ir num rodízio de pizza! Faz parte de um momento social agradável, e eu comerei com tranquilidade e alegria, degustando até ficar saciada, sem me sentir estufada ou muito cheia”. Percebe que, ao refletir sobre o pensamento e reestruturá-lo, você tem a condição de ter um novo discurso na sua cabeça, mais compassivo e gentil em relação à comida? E analisando esses dois pensamentos, consegue perceber como é mais provável que seu comportamento seja muito diferente nas duas situações? Na primeira, você comeria com culpa e provavelmente em excesso, justamente por estar se privando (leia sobre isso aqui). Já na segunda situação, você saberá respeitar seus sinais de fome e saciedade e ainda aproveitará o momento de prazer!

 

Assim, não há dúvidas de que devemos mudar nossos pensamentos sobre a comida para que consigamos mudanças de comportamento alimentar. E pensando que o inverso também é verdadeiro, mudar atitudes e falas também é imprescindível para modificações na nossa forma de pensar.

 

Então, fica a pergunta: como andam os seus pensamentos a respeito da comida? Eles são verdadeiros, ou são crenças comuns, mas que são falsas? Eles te ajudam ou atrapalham a sua relação com a comida? Procure observá-los.

 

Referências Bibliográficas:

 

HAY, L. Cure seu corpo: as causas mentais dos males físicos e o modo metafísico de combatê-los. Rio de Janeiro: Bestseller, 2016.

PISCIOLARO, F., FIGUEIREDO, M., PAULINO, E., ALVARENGA, M. Terapia cognitivo-comportamental na nutrição. In: ALVARENGA, M.; FIGUEIREDO, M.; TIMERMAN, F.; ANTONACCIO, C. Nutrição comportamental. Barueri: Manole, 2015. p. 303-335.

SHAPIRO, M. O. Programação Neurolinguística em uma semana. São Paulo: Figurati, 2014.

 

 

 

 

 

 

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