Pelos tempos de paz com a comida: resgatando a comida de vó

06/04/2018

Quero ser uma avó à moda antiga! Nada de vovó fitness que prepara bolo sem glúten e sem graça para os netinhos. Desejo, do fundo do coração, perpetuar a enorme sabedoria alimentar das avós, que servem bolo de fubá “com açúcar e com afeto”.

 

Elas enxergavam a comida em todos os seus aspectos e faziam isso de maneira totalmente intuitiva. Comida era sinônimo de festa, família, carinho, cultura... Ninguém contava calorias, comprava cápsulas de ômega-3 ou preferia os alimentos com menor índice glicêmico. O importante era estar gotoso, a intenção era alimentar, cuidar, acolher e ver no rosto das pessoas queridas aquele delicioso ar de satisfação!

Cozinhar e comer bem eram prioridade e cabia pão francês com manteiga no café da manhã, arroz com feijão no almoço e aquele bolinho com café (que perfumavam até a casa do vizinho) na hora do lanche.

 

Não acho que comiam menos, mas com certeza, sofriam menos com a comida e se alimentavam melhor. Suas refeições eram constituídas por comida menos processada, mais próxima do natural, ou seja, frutas, legumes, verduras, arroz, feijão, farinhas, carnes, ovos, frutos do mar, pães, leite, queijos... Não era nada complicado, ninguém precisava consultar gráficos, tabelas e rótulos antes de fazer as compras do mês. Muito disso nem existia.

 

Naquele tempo, a incidência de obesidade e de doenças crônicas relacionadas à alimentação era muito menor do que nos dias de hoje. Hoje vivemos um período de transição nutricional, onde as pessoas passaram do baixo peso ou peso normal para a obesidade. Um estudo de 2010, conduzido pela Global Health Burden, instituição ligada à Organização Mundial de Saúde (OMS), aponta que doenças relacionadas à obesidade já matam mais do que a desnutrição infantil, em todo o mundo. Será que podemos atribuir isso à maneira como se alimentavam?

 

Já parou pra pensar que há meio século atrás a comida era simples, caseira, preparada com ingredientes naturais e compartilhada com a família? Não existiam redes fast food e a indústria alimentícia ainda estava dando os seus primeiros passos rumo à globalização que vivemos atualmente. As pessoas não se preocupavam tanto com a forma física e não tinham tantas informações a respeito da composição nutricional dos alimentos. O terrorismo nutricional e a culpa passavam bem longe da mesa! É bastante provável que tudo isso, aliado a uma vida mais ativa (com caminhos mais longos, bolos batidos no braço e hortas cultivadas pelas próprias mãos), em função da menor disponibilidade de aparatos tecnológicos esclareça, em parte, a nossa dúvida.

 

Ultimamente tenho me questionado: Será que estamos, realmente, tão mais à frente dos nossos avós?

Temos um mundo inteiro na palma das mãos, todo tipo de informação a um “click”, tecnologias de última geração, programas que calculam dietas com “perfeito” equilíbrio nutricional, equipamentos que medem com precisão a porcentagem de gordura corporal, superalimentos milagrosos, shakes, pozinhos, cápsulas, mas... A falta de tempo, de vontade de cozinhar, a dificuldade em estabelecer prioridades, o fato de a comida estar deixando de ser fonte de prazer e satisfação, as centenas de regras e restrições alimentares, além da grande oferta e praticidade dos alimentos ultra processados, estão nos deixando cada vez mais distante do comer, como nossos avós o faziam. E não considero que isso seja estar à frente. Na verdade só

tem feito com que nossa alimentação fique cada vez mais pobre e menos saborosa.

 

Talvez seja tempo de revermos os conceitos sobre o que seria comer bem e de pensar porque sentimos tanta necessidade de transformar algo vital, instintivo e prazeroso, em modismos tão efêmeros e mercadológicos. Pode ser que seja necessário repensarmos o incentivo que temos dado ao enriquecimento da indústria de alimentos dietéticos, fitness e “pseudo-saudáveis” para se ter saúde, e assim olhar mais para dentro e procurar por aceitação, afeto, cuidado e equilíbrio. Voltar a comer comida com mais cara de comida e resgatar os valores básicos dos nossos avós pode ser uma escolha interessante, quando se quer reencontrar a saúde na sua essência, aquela que nos traz bem estar e qualidade de vida e não culpa e sentimentos relacionados ao fracasso.

Podemos fazer o caminho de volta ao passado, para que a comida e o corpo não sejam mais fonte de tanta culpa, medo, vergonha e sofrimento. E para que a cozinha, a comida e os seus mais diversos sabores, os cheiros e os temperos continuem fazendo parte da nossa existência. Os alimentos têm o poder de cuidar do nosso corpo físico e emocional e podemos, simplesmente, ser gratos por isso. Cozinhar é um ato de amor e cuidado com nós mesmos e com nossa família e nossas avós sabiam muito bem disso!

 

Vou deixar aqui pra vocês uma receita muito especial, que com certeza vai deixar os vizinhos com água na boca.

 

 BOLO DE FUBÁ DA MINHA VÓ “com açúcar e com afeto”

 

Ingredientes:

- 4 ovos

- 1 1⁄2 xícara de chá de açúcar

- 2 xícaras de chá de farinha de trigo

- 1 xícara de chá de fubá

- 3 colheres de sopa de manteiga

- 1 xícara de chá de leite

- 1 colher de sopa de fermento em pó

Como preparar:

- Bater as claras em neve e acrescente o açúcar.

- Adicionar as gemas, a manteiga, o leite, a farinha de trigo, o fubá e continuar batendo.

- Acrescentar por último o fermento e misturar com uma colher ou espátula

- Despejar a massa em uma forma untada e  assar em forno médio (180° C), pré-aquecido, por aproximadamente 30 minutos.

 

Bom apetite!

 

Nutricionista em Nova Friburgo (RJ)

Contato: www.facebook.com/geysaaci

 

Share on Facebook
Please reload

Últimas matér

February 1, 2018

Please reload

Arquivo
Please reload

Tem dúvidas sobre nossas formações ou gostaria de nos contatar? Entre em contato por e-mail ou WhatsApp.

Quer fazer parte da nossa lista de transmissão via WhatsApp e receber todas novidades em primeira mão?

Envie-nos uma mensagem pelo aplicativo solicitando.

* Todos os direitos reservados ao Instituto de Alimentação Consciente e Intuitiva 2019 / CNPJ: 30.569.638/0001-09