Beleza relativa

25/01/2018

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A preocupação com o formato do corpo é antiga, sendo vista desde os primórdios. Porém, vemos que os padrões de sofreram várias mudanças nos diversos períodos históricos da humanidade. Por que isso aconteceu? Seria a beleza relativa?

 

 

 

Fazendo uma breve análise em alguns momentos da história podemos observar algumas evidências que justificam essas mudanças. Segunda Amanda Dabéss, historiadora e pesquisadora em Patrimônio Cultural e costumes alimentares, os padrões de beleza sempre foram associados à oferta de alimentos e classe social.

 

“Na Idade Média, por exemplo, nos períodos de maior escassez de alimentos, a nobreza era quem mais se beneficiava. Nessa época ter um corpo volumoso significava abundância, fartura e riqueza. Enquanto que, a magreza era sinônimo de doença e de pobreza”, diz Amanda. Segundo a historiadora, também após esse período, já na Idade Moderna, “a abundância e a variedade de alimentos, especialmente entre a burguesia mercantil, favoreceu o aparecimento de um padrão que negava a magreza anterior, associada à Peste Negra”. Essa época foi o apogeu das musas renascentistas, bastante curvilíneas, representativas de uma arte considerada bela.

 

Amanda ainda explica que o final do século XVIII, mesmo com a fartura e abundância de comida proporcionada pelos grandes banquetes, a magreza passou a ser considerada o 'novo' padrão de beleza atingindo, principalmente as cortes europeias. Com a chegada da Revolução Industrial, no século XIX, mudanças relacionadas aos costumes alimentares ocorreram e a epidemia da obesidade teve um crescimento acentuado, tendo reflexo nestas mudanças dos padrões de beleza.

 

Hoje o acesso aos alimentos de forma abundante e o constante aumento da obesidade têm colocado a magreza e o corpo “esculpido” como um sinal de beleza e auto controle, o que tem feito com que as pessoas estejam investindo tempo em dinheiro em métodos de controle de peso.  Desta forma, vemos que o comer bem passa a ser novamente a ser associado a status econômico e social, ou seja, “ainda hoje somos movidos pela demonstração de status relacionado ao poder econômico sobre o alimento”, contempla Amanda.

 

Amanda ainda acrescenta que a magreza exigida e desejada hoje tem um custo bem alto, enquanto que a magreza resultante da pobreza não tem nenhuma comprovação estética. Essa magreza exigida além de ser considerada um padrão de beleza, tem sido vista como um instrumento de poder, sucesso e felicidade (Flor, 2009; Sant'Anna, 2014)., como se o corpo fosse uma mercadoria e permitisse que os indivíduos criem relações e estabeleçam diferenças sociais (Knoop, 2008). Assim, o padrão, ironicamente, faz os indivíduos crerem que se o atingirem serão aceitos e amados socialmente.   

 

Observamos assim que os padrões de beleza variam durante o tempo devido a características sociais, econômicas e políticas do período vivido. Faz todo o sentido dizermos, então, que a beleza é relativa, certo? Ou melhor, que esses padrões de beleza nem são a respeito de beleza! Agora, a pergunta que fica é: faz sentido definirmos nossa beleza individual por isso?

 

 

Referência:

KNOPP, GC. A influência da mídia e da indústria da beleza na cultura de corpolatria e na moral da aparência na sociedade contemporânea. Salvador, 28 mai 2008. 

 FLOR, G. Corpo, mídia e status social. Rev. Estud. Comum., Curitiba, v.10, n.23, p.267-274, set/dez. 2009.

SANT'ANNA, DB. História da beleza no Brasil. São Paulo: Contexto, 2014.

 

 

 

 

 

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