• Adriana Miranda

Alimentação Consciente e Intuitiva: seria realmente um remar contra a maré?


Assim como Fernão Capelo Gaivota, personagem do escritor norte-americano Richard Bach, que acreditou que poderia fazer diferente de todo o bando, que acreditou nos seus próprios sonhos, mesmo quando tudo parecia conspirar contra, mesmo quando se sentia só, e jamais deixou de acreditar que lutava por um propósito maior, assim também tem acontecido com muitos profissionais nutricionistas que acreditam, lutam e defendem uma nutrição diferente, mais humana e mais acolhedora.

Muitos destes, e aqui me incluo entre eles, se dizem remando contra a maré, ou seja, se sentem perdidos em uma multidão de outros profissionais que baseiam sua atuação e abordagem apenas no aspecto biológico da alimentação, que considera o comer somente como uma decisão racional, com base apenas nos nutrientes presentes no alimento e ignoram os aspectos emocionais, culturais e sociais da alimentação. Mas essa atuação, além de trazer uma visão dicotômica da alimentação, de ‘certo’ e ‘errado’, o que ‘pode’ e ‘não pode’, o que é ‘saudável’ e ‘não saudável’, tem também trazido muito sofrimento e angústia para as pessoas que estão cada vez mais confusas, perdendo a sua autonomia alimentar e também a sua conexão com os seus sinais internos de fome, saciedade, apetite, satisfação e prazer (veja aqui).

Por isso, quem luta e defende essa nutrição diferente entende que a atuação do nutricionista não deve ser basear em uma ‘dieta’ e que o peso não deve ser o foco de um acompanhamento nutricional, pois saúde depende de comportamentos saudáveis e não de um determinado peso. Na verdade, temos visto que muitas vezes essa busca por um peso idealizado de um corpo magro tem deixado as pessoas mais adoecidas e não tem contribuído para redução do excesso de peso da população. Pelo contrário, essa busca tem gerado um comer disfuncional, caracterizado por um ciclo de excesso e restrições alimentares, que por sua vez traz muita culpa, insatisfação e um eterno efeito sanfona (veja aqui).

Por outro lado, tenho me questionado muito sobre esse termo “remar contra a maré”, pois entendo a maré como alterações do nível da água do mar, regida pelos movimentos de rotação e as forças gravitacionais exercidas pelo Sol e pela Lua, ou seja, por forças da natureza. E fico me perguntando: será que são esses profissionais que buscam essa nutrição diferente é que remam contra a maré? Pois quando nos alimentamos de maneira mais consciente e intuitiva, que é um dos pilares centrais dessa nutrição diferente, ou seja, respeitando os sinais de fome, saciedade, apetite e satisfação, estamos, na verdade, seguindo um fluxo mais coerente, respeitando a nossa natureza e o que o nosso corpo precisa. E remar contra a maré me traz a imagem de uma pessoa que luta contra a natureza, que nada, nada, nada contra a correnteza e depois é levada de volta para areia cansada de lutar contra um fluxo natural, ilustrando bem o que acontece com as pessoas que vivem o ciclo vicioso das dietas (restrição - compulsão alimentar– frustração – restrição novamente), que vivem no eterno efeito sanfona e se sentem muitas vezes cansadas, desvitalizadas e sem energia (veja aqui).

Por isso fico a me perguntar: o que está acontecendo? O mundo está ao contrário e ninguém reparou ♪♫♪

Muitos de nós nutricionistas ‘diferentes’ já se viram sozinhos, já se sentiram de certa forma lutando, remando, ou até mesmo perdidos em meio a uma multidão de outros profissionais que tem um olhar focado apenas no biológico, mas, acreditando num propósito maior de fazer essa nutrição diferente, com mais sentido e mais humana, continuamos voando e voaram alto e ao alçar grandes voos descobrimos que não estavamos sozinhas, que não somos loucas, e que na verdade esse “remar contra a maré” na verdade deveria ser o fluxo natural, que a nutrição diferente deveria ser o normal, pois promove uma alimentação que vai além, que acolhe, compreende e contempla o ser humano em sua integralidade biopsicossocial.

Sentir que não está sozinha(o), que valeu e vale a pena continuar lutando por um propósito maior e por uma nutrição mais humana foi o meu sentimento e o de todos os outros colegas que tive a oportunidade de encontrar, conversar e compartilhar experiências no I Encontro de Alimentação Consciente e Intuitiva (I EACI) promovido pelo Instituto de Alimentação Consciente e Intuitiva em Belo Horizonte, nos dias 9 e 10 deste mês. - um encontro de nutricionistas ‘diferentes’, que se fortalecem numa rede de parceiros que se acolhem, que se apoiam, que dividem no sentido de compartilhar, que somam no sentido de acrescentar e que principalmente te impulsionam a seguir voando e semeando um mundo mais em paz com a comida.


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