O Método ACI e sua aplicação nas doenças crônicas não transmissíveis


Diabetes mellitus tipo 2 (DM2), hipertensão arterial sistêmica (HAS) e dislipidemias são desfechos negativos da saúde humana que os profissionais da área da saúde vêm tentando enfrentar há décadas, por meio de diversas abordagens, afim de garantir a prevenção de suas complicações, qualidade de vida e bem-estar aos seus portadores. No campo da Saúde Coletiva, as representações das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) nos mais variados modelos epidemiológicos demonstram a complexidade, instabilidade e interação de seus fatores de risco e os riscos à saúde humana (MALTA; SILVA, 2013).

As inter-relações das dimensões sócio-históricas e dos aspectos simbólicos, culturais e ambientais da vida contemporânea nos mostram que o enfretamento das DCNT é desafiador e evidências científicas têm reforçado que abordagens tradicionais, centradas no indivíduo, não têm sido suficientes, fato refletido pelo aumento exponencial do número de casos de DCNT no Brasil e no Mundo. Dados do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) de 2016 (BRASIL, 2017), por exemplo, apontaram amento de 61,8% de casos de DM2 e o aumento de 14,2% de casos de HAS.

No contexto das abordagens tradicionais no campo da Alimentação e Nutrição, a prescrição de dietas é a mais empregada na prática clínica, sendo importante ressaltar que, na maioria das vezes, essa possui caráter restritivo e, ou proibitivo, com foco principalmente na perda de peso, já que, a obesidade é uma das condições clínicas frequentemente associada ao DM2, HAS e dislipidemias. Sabidamente, essa abordagem tem falhado, apresentando baixa adesão e, por muitas vezes, resulta em sofrimento, angústia e frustação para as pessoas portadoras dessas condições (MANN et al., 2007).

O foco na doença, na perda de peso e na responsabilização - por vezes culpabilização - única e exclusiva do portador de DCNT precisa ser revisto com urgência, pois senão continuará nos levando, profissionais e clientes, para caminhos cada vez mais frustrantes, com pouco ou nenhum resultado em médio e longo prazo.

O atual cenário da prática clínica tem sido marcado por tentativas frustradas do processo terapêutico, com uma “natural” desmotivação tanto do profissional quanto do cliente, como também a busca constante por novas estratégias e abordagens que possam conduzir ao tão desejado caminho da promoção da saúde, da qualidade de vida e do bem-estar físico, mental e emocional. Se é esse o caminho que você, nutricionista, profissional da saúde, está buscando, nós do IACI – Instituto de Alimentação Consciente e Intuitiva – te convidamos a experimentar uma nova trajetória, não prescritiva, voltada ao resgate da conduta nutricional pautada no aconselhamento nutricional, que promova saúde no seu conceito ampliado, bem como uma vida em paz com a comida e com o corpo para seus clientes.

Sim, nós do IACI acreditamos que a comida não tem um papel meramente biológico na vida do ser humano e que é possível ressignificar a relação com a comida e com o corpo e promover saúde por meio dos pilares e princípios da alimentação consciente e intuitiva (ACI). Acreditamos ainda que a escuta qualificada, a empatia, o respeito aos saberes, o autocuidado, a autonomia, o apoio social e a visão multidimensional da saúde são fundamentais no processo terapêutico, aspectos esses destacados na Política Nacional de Educação Popular em Saúde (BRASIL, 2016).

Enfrentar as DCNT por meio da ACI é “olhar para além da superfície e mergulhar nas raízes do problema”, é apoiar integralmente nossos clientes no processo de “reaprender a ouvir o próprio corpo (observar e interpretar seus mecanismos internos de fome e saciedade), fazer as pazes com a comida, resgatar o prazer de comer, se conhecer, se aceitar, resgatar sua autonomia alimentar e desenvolver um senso crítico em relação às informações sobre Nutrição e os modismos que a acompanham” (PETRY; BRAGUNCI, 2018).

O curso “Como aplicar os conceitos da alimentação consciente e intuitiva no trabalho com doenças crônicas não transmissíveis?” realizado no I Encontro de Alimentação Consciente Intuitiva (EACI) em Belo Horizonte, apresenta a fundamentação dessa abordagem não prescritiva, pautada na alimentação consciente e intuitiva e propõe uma forma diferenciada de conduzir o processo terapêutico com portadores de DM2, HAS e dislipidemias, que tanto podem se beneficiar dessa nutrição diferente, mais humana e acolhedora.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Universidade Federal de Minas Gerais. Instrutivo: metodologia de trabalho em grupos para ações de alimentação e nutrição na atenção básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.

BRASIL. Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2016 Saúde Suplementar: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.

MALTA, D. C.; SILVA JR, J. B. O Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis no Brasil e a definição das metas globais para o enfrentamento dessas doenças até 2025: uma revisão. Epidemiologia e Serviços de Saúde, Brasília, v.22, n.1, p.151-164, mar. 2013.

MANN, T.; TOMIYAMA, A. J.; WESTLING, E., LEW, A. M.; SAMUELS, B.; CHATMAN, J. Medicare's Search for Effective Obesity Treatments: Diets Are Not the Answer. American Psychologist, v. 62, n. 3, p.220-233, 2007.

PETRY, N. S.; BRAGUNCI, L. B. Em paz com a comida: um livro de exercícios para eu você deixe de fazer dieta e viva em paz com os alimentos e com o seu corpo. Belo Horizonte, MG, 2018.


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