Transtornos alimentares: quando a preocupação com o saudável deixa de ser saudável?


Você já parou para observar como está o seu comportamento diante da comida? Como você tem lidado com a sua alimentação e com o seu corpo? Ter uma vida saudável é muito importante para você? Será que a sua preocupação em ser saudável não está exagerada? Vamos avaliar as situações abaixo:

- Você costuma ter episódios frequentes de consumo de grande quantidade de comida num curto espaço de tempo até sentir-se extremamente desconfortável fisicamente? Depois você tem a sensação de falta de controle e sentimento de culpa?

- Habitualmente você procura “compensar” o que comeu, permanecendo longos períodos em jejum ou fazendo muito exercício físico, por exemplo?

- Fazer restrições alimentares rigorosas é uma prática comum na sua rotina? Você tem um medo intenso de engordar? Faz de tudo para emagrecer, mesmo que seu peso já esteja abaixo do que é considerado adequado pela classificação do seu Índice de Massa Corporal (IMC)?

Essas situações caracterizam comportamentos disfuncionais diante da comida e podem sinalizar algum tipo de transtorno alimentar, como a bulimia nervosa, a anorexia nervosa ou o transtorno da compulsão alimentar, especialmente se as preocupações com a alimentação e o corpo assumirem um papel central na sua vida.

Os transtornos alimentares são doenças psiquiátricas nas quais o comportamento alimentar e o modo como a pessoa percebe o próprio corpo estão alterados. Os pensamentos e as emoções relacionados ao corpo e à alimentação provocam sofrimento, medo, ansiedade, angústia, preocupação e dificuldades para realizar as atividades rotineiras, impactando na qualidade de vida. Pessoas que sofrem com transtorno alimentar têm dificuldade para fazer escolhas livremente em relação à sua alimentação e ao seu corpo, tornando-se “escravo” de medos e obsessões que acabam dominando a sua vida (Aratangy; Buonfiglio, 2017).

Muitos desses sentimentos relacionados ao corpo e à comida podem ser consequências do “bombardeio” de informações que recebemos todos os dias: alimentos “milagrosos” e “perigosos”, listas do que “devemos comer” e do que “devemos excluir” da nossa rotina. Além disso, estamos sempre esbarrando em fotos de mulheres e homens com seus corpos “perfeitos” na internet, na televisão, nas propagandas e na rua.

Considero importante e natural que as pessoas queiram estar saudáveis, se alimentando bem e sentindo-se felizes com os seus corpos. Mas até que ponto toda essa preocupação com a alimentação e o corpo é saudável? Quando essas questões tornam-se obsessivas e passam a assumir o foco principal da vida de alguém elas podem indicar que algo não está certo.

Um transtorno alimentar pode ser facilmente confundido com escolhas de estilo de vida aparentemente normais (Aratangy; Buonfiglio, 2017), uma vez que existe grande pressão no contexto de vida atual pela busca da alimentação e corpo “perfeitos” (Morgan; Vecchiatti; Negrão, 2002). É importante frisar que não é errado, nem ruim querer ter uma alimentação de mais qualidade, ou buscar mudanças no seu corpo. Conforme pontuado por Aratangy e Buonfiglio (2017), o problema surge quando os meios que você utiliza para atingir seus objetivos viram o centro das suas atenções e a(o) impedem de viver normalmente a sua vida, chegando a atrapalhar/influenciar na sua rotina de estudo/trabalho. Se você deixa de sair ou encontrar pessoas em eventos para evitar o contato com alguns alimentos para não comê-los ou deixa de comprar roupas, talvez seja importante você rever algumas atitudes.

Caso você ache que as questões relacionadas à sua alimentação e ao seu corpo estão ocupando um grande espaço na sua vida e estão te trazendo sofrimento importante ou dificultando o andamento das suas atividades diárias normais, fique atento a esses sinais de alerta. Procure ajuda de profissionais que tenham experiência na área (psiquiatra, psicólogo e nutricionista) para uma avaliação e posterior acompanhamento, se necessário. Saiba que você não está sozinho(a) e com ajuda adequada não fica tão difícil trilhar um caminho de equilíbrio e autocuidado.

Referências:

ARATANGY, E. W.; BUONFIGLIO, H. B. Como lidar com os transtornos alimentares: Guia prático para familiares e pacientes. 1ª ed. São Paulo: Hogrefe, 2017.

MORGAN, C. M.; VECCHIATTI, I. R.; NEGRÃO, A. B. Etiologia dos transtornos alimentares: aspectos biológicos, psicológicos e sócio-culturais. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 24, p. 18-23, 2002.


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