A beleza que muda ao longo dos tempos


Já percebeu como o corpo magro é tão valorizado na nossa sociedade e tão fortemente disseminado na mídia? Mas você sabia que o corpo ideal mudou ao longo dos anos?

Podemos fazer uma breve passagem pela evolução histórica para entender e refletir algumas questões.

Na idade média, o corpo ideal é marcado pelos quadris "arrebitados", ventres arredondados e cintura fina proeminente, caracterizando a feminilidade. Também na era do Renascimento, o conceito de corpo belo era ter ombros largos, cintura fina, quadris grandes e redondos e pernas roliças. No período da Reforma, movimento religioso marcado por mudanças inclusive pela rejeição ao culto das imagens santas, o corpo das mulheres conserva-se escondido e tudo relacionado ao desejo e estética era banido.

A Contra-Reforma francesa trouxe o refinamento, o padrão de beleza e a moda do mundo civilizado. Os corpos são roliços com covinhas e dobras, os traços não são necessariamente tão regulares. No movimento romântico, temos como referência a Branca de Neve, personagem da Disney, com a sua pele alva, cabelos negros e lábios vermelhos.

No entanto, já no século XIX o corpo gordo caracterizado pela cintura grossa, costas volumosas, coxas e braços arredondados e seios generosos caracterizavam a mulher honesta e mãe de família. Ter um corpo volumoso era sinônimo de beleza, fartura e riqueza.

É no século XX, período pós-guerra, quando a epidemia da obesidade começa a ter um crescimento acentuado, que o corpo gordo deixa de significar abundância e passa a significar desleixo. O corpo magro passa também a ser valorizado e fortemente influenciado pela cultura e pela mídia, onde as modelos transmitem uma imagem de poder, fama e sucesso. Na década de 40, a magreza era sinônimo de beleza e de saúde. Também na década de 1980, a chegada da mulher no mercado de trabalho é marcada pela supervalorização da aparência bem cuidada, onde uma alimentação diet e passar horas na academia eram os critérios para se ter um corpo magro e musculoso. Ao mesmo tempo, o excesso de peso feminino era associado à maciez, passividade e necessidade de cuidados.

Atualmente esse padrão ainda é bem característico. O corpo magro e musculoso tem sido associado ao autocontrole alimentar e a racionalidade, assim como à saúde, sucesso e felicidade.

Perceba que o padrão de beleza sofreu alterações ao longo do tempo, pois já vivemos épocas em que o padrão de beleza era a gordura, hoje é a ausência dela. Mas afinal porque os padrões de beleza mudaram no tempo? E porque é tão valorizado?

O que todos os padrões de beleza de todas as épocas têm em comum é serem inacessíveis para a grande maioria das pessoas que se sentem fora desse padrão, gerando uma grande insatisfação corporal.

Alguns autores apontam as causas econômicas destes padrões. A difusão do conceito de beleza como questão de saúde, sucesso e felicidade, criado pelo discurso midiático, aumentou a procura por cirurgias estéticas, cosméticos e dietas em busca de um padrão de beleza idealizado e exigido no mercado. Com isso percebe-se que o mercado para bens e serviços de beleza aumentou significativamente nas últimas décadas. O corpo e a aparência física tornam-se objeto de consumo, poder, competição e socialização, gerando promessas rápidas para os consumidores e muito lucro para a indústria da beleza.

Os padrões de beleza, na verdade, são uma constante reconstrução, que varia de acordo com o contexto histórico, social e cultural. A pergunta é: se os padrões de beleza mudaram tanto de tempo em tempo, será que vale a pena mudarmos também?

Referências:

SANTOS, LAS. O corpo, o comer e a comida: um estudo sobre as práticas corporais alimentares cotidianas a partir da cidade de Salvador. Salvador: EDUFBA, 2008. 330 p.

SILVA, GL. Insatisfação com a imagem corporal em mulheres com depressão. Bauru.

SHIMIDTT, A. et al. O mercado da beleza e as suas consequências. Santa Catarina.

KNOPP, GC. A influência da mídia e da indústria da beleza na cultura de corpolatria e na moral da aparência na sociedade contemporânea. Salvador, 28 mai 2008.


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