Será que as dietas são o caminho para um emagrecimento saudável e sustentável?


Estamos vivendo uma situação bastante contraditória. Nunca falamos tanto sobre dietas, alimentação saudável, produtos emagrecedores, alimentos milagrosos, e o que vemos é o aumento das taxas de obesidade e de doenças crônicas como diabetes, hipertensão e dislipidemias, por exemplo. Isso me leva a pensar: será que as dietas estão funcionando? Será que é este o caminho para perder peso de forma saudável e sustentável?

Se as dietas funcionassem, nós não precisaríamos fazer várias vezes, somente uma dieta seria suficiente. Se a restrição calórica com o objetivo de emagrecer fosse eficaz, a epidemia de obesidade não estaria crescendo da forma como está. É claro que, ao seguirmos uma dieta restritiva a perda de peso poderá ser alcançada. Mas por quanto tempo? Quantas pessoas conseguem manter o peso perdido em longo prazo? Quantas acabam entrando no famoso “efeito sanfona”? A parte boa é que já temos algumas respostas para essas perguntas!

Estudos científicos apontam que, 95% das pessoas que fazem dieta emagrecem no começo e depois voltam ao peso inicial, ou mais, dentro de um período de 6 meses a 2 anos. E que o peso é recuperado com uma maior proporção de gordura corporal em relação aos músculos, ou seja, a pessoa acaba ganhando mais peso e modificando a sua composição corporal à medida que faz dietas.

Nosso corpo entende o processo de dieta como uma ameaça à sobrevivência. O cérebro não sabe que estamos restringindo a ingestão alimentar de propósito, para emagrecer e atingir um determinado padrão de beleza. Nosso corpo não aceita uma perda rápida de peso como saudável, então ele reduz o nosso gasto energético (metabolismo) e aumenta a nossa fome e a nosso predileção por alimentar altamente calóricos. São mecanismos fisiológicos de proteção, para aumentar nossas reservas de energia.

Portanto, não acredite quando disserem que você não tem disciplina e força de vontade. Fracassar na dieta não é culpa sua! Nada mais é do que o corpo lutando a nosso favor, para nos manter vivos e funcionantes. Deveríamos ser gratos a ele por isso!

Não posso deixar de falar das questões psicológicas que uma dieta pode trazer. A perda da autoestima, a falta de confiança no próprio corpo, a culpa, o desenvolvimento de uma relação ruim com a comida e a sensação de fracasso, fazem parte do doloroso processo das dietas. A relação proibitiva com alimentos sem a presença de alergias, intolerâncias ou patologias que justifiquem a exclusão, gera uma situação de estresse, e aumento das chances de exagero no consumo e episódios de compulsão alimentar aumentam significativamente. É o eterno ciclo (restrição - aumento do desejo - compulsão) que reinicia, de tempos em tempos, com mais uma dieta.

Sob ponto de vista econômico, as dietas geram muito dinheiro para a poderosa indústria do emagrecimento. Só nos EUA, gasta-se a assombrosa quantia de 40 bilhões por ano em emagrecimento, e no Brasil não estamos muito atrás disso, somos os campeões em cirurgia plástica, por exemplo. Não só poderosa, mas também cruel, a indústria do emagrecimento promove um método que não funciona e ainda faz de tudo para acreditarmos que a culpa é nossa! Desta forma, cada vez mais pessoas se sentem frustradas e insatisfeitas com seus corpos, a procura de um novo milagre e uma nova dieta para começar na segunda-feira. A grande roda do “precisamos emagrecer” não para de girar e a indústria do emagrecimento comemora, mais alguns bilhões, em suas abastadas contas.

E, se as dietas estão intimamente ligadas à economia, por que não estariam relacionadas a questões políticas? Este trecho do livro “O Mito da Beleza”, de Naomi Wolf, faz uma importante crítica e coloca isso de maneira simples e contundente: “Uma cultura focada na magreza feminina não revela uma obsessão com a beleza feminina. É uma obsessão sobre a obediência feminina. Fazer dietas é o sedativo político mais potente na história das mulheres; uma população passivamente insana pode ser controlada”.

Diante disso tudo, me sinto confortável para afirmar, que o caminho das dietas não é o caminho para se ter saúde e, definitivamente, não é o caminho para um emagrecimento saudável e sustentável. Precisamos perceber que a maneira como comemos é tão importante quanto o que comemos, e que comer vai muito além de seguir dietas da moda ou do culto à magreza. Se pararmos para pensar na quantidade de alimentos gostosos que existem e o quão culpadas as pessoas ficam quando os comem, podemos perceber que algo não está bem. Comer é um ato deliciosamente necessário e essencial para a vida e para a saúde e não deveria nos trazer tanto medo e preocupação, nos lembra a nutricionista Sophie Deram em seu livro “O peso das dietas”.

Mas agora você deve estar se perguntando: se não é para fazer dieta, é para fazer o quê?

Precisamos olhar para dentro, resgatar nossa conexão com o corpo e ouvir o que o ele tem a dizer. Nosso corpo é capaz de sinalizar o que comer, através dos nossos desejos e vontades, quando comer, através da sensação de fome e quanto comer, através da sensação de saciedade. E então, basta fazermos o que sempre soubemos fazer: comer quando estamos com fome e parar de comer quando estamos satisfeitos. Desta forma, deixamos que o corpo guie a nossa alimentação, recuperando o prazer em comer e deixando a culpa bem longe da mesa.

Ao nos alimentarmos de maneira intuitiva, o equilíbrio vem de dentro, inclusive o equilíbrio nutricional. Assim, a perda de peso ocorre como uma conseqüência natural da mudança no relacionamento com a comida e com o próprio corpo. Insistimos em achar que precisamos colocar o controle da nossa alimentação na mão de outras pessoas, mas isso não é verdade. Nenhuma regra externa é mais importante do que as nossas sensações internas. Se nós simplesmente fizermos o que o corpo nos pede, provavelmente faremos da maneira certa. Reconecte-se e ouça o que seu corpo tem a dizer! Ele merece respeito e cuidado. Pratique uma nutrição gentil.


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